top of page

Pelo Xico, Tudo

  • luispintolisboa
  • 8 de ago.
  • 3 min de leitura

Há momentos em que o tempo parece encolher e o passado se faz presente com a força viva de um apito inicial. Olhar para trás e recordar o percurso no Andebol federado é, acima de tudo, regressar a uma casa onde o corpo se moldou, a mente temperou a sua disciplina e a alma aprendeu o significado mais puro da palavra equipa.


A minha história com a bola colada às mãos começou bem cedo, ainda criança. Foram cinco épocas de formação no mítico Pavilhão Francisco de Holanda. Desde a descoberta nos infantis em 1991/1992, o crescimento e a exigência nos dois anos de iniciados, e o amadurecimento nos dois anos como juvenil, jogando também pelos juniores. Ser atleta do Desportivo Francisco de Holanda, envergar aquela camisola e ter a honra de envergar a braçadeira de capitão em várias dessas etapas moldou a minha infância e adolescência. Ali, entre o suor do treino e a intensidade do jogo, aprendi valores que acompanham uma vida inteira.


O desporto é uma escola de ética, de lealdade e de superar-se. A palavra certa para o que ali vivemos talvez seja essa mesmo: a superação, a capacidade contínua de ir além do próprio limite. Mas ninguém se supera sozinho. A maior lição que guardo desses anos é a noção profunda do espírito de equipa. Como escreveu Aristóteles ao pensar a sociedade e a ação humana, o todo é substancialmente maior e mais complexo do que a simples soma das suas partes. No andebol, essa premissa ganha vida em cada segundo de jogo. Criar a melhor jogada exige confiança cega no companheiro do lado, exige saber dar e receber indicações, compreender o momento exato de passar a bola e colocar o talento individual ao serviço de um bem coletivo superior. A busca pela vitória nunca foi apenas um resultado no marcador, mas a consequência natural de um grupo unido que trabalha para o mesmo fim.  


Mais do que formar atletas, o Francisco de Holanda e o Xico Andebol sempre cumpriram uma missão social, humana e comunitária inestimável. Crescer naquele ambiente foi testemunhar de perto como o clube se tornou um porto de abrigo e uma alavanca para tantas famílias dos bairros sociais circundantes. Ali formaram-se jogadores, mas, acima de tudo, formaram-se homens, cidadãos conscientes, com princípios sólidos de camaradagem e entreajuda. É um legado comunitário que Guimarães não pode esquecer e que as instituições competentes devem valorizar e proteger com carinho especial.


Embora a paixão pela música me tenha afastado dos pavilhões durante algum tempo, o chamamento do clube manteve-se sempre lá, em suspenso. Na época de 2016/2017, o regresso ao ativo através do Xico Andebol/Clássicos de Guimarães (bi-campeões nacionais) deu início a quatro épocas inesquecíveis como veterano. Voltar a vestir aquela camisola, reviver a adrenalina da competição e partilhar o balneário com velhos e novos companheiros foi um privilégio renovado. Nesse ano, juntos conquistámos o Torneio de Abertura da Associação de Andebol do Porto, o vice-campeonato regional e um honroso quinto lugar no Campeonato Nacional de Veteranos. Entretanto, na época de 2019/2020, somaria ainda o orgulho de aceitar o convite do Presidente para acumular as funções de Diretor, servindo o clube fora do campo com a mesma dedicação de sempre.


A pandemia acabou por interromper esse ciclo e contribuir largamente para o fim da continuidade daquele grupo. Com o avançar dos anos e o peso acrescido das responsabilidades pessoais e profissionais de cada um, tornou-se impossível voltar a reunir a equipa e a envergar a camisola do Xico em competição oficial.


A ligação institucional, contudo, continuou a renovar-se. Em 2023, tive a honra de integrar o Conselho Consultivo do Xico Andebol, num compromisso de pensar o futuro do clube e ajudar a definir os melhores caminhos estratégicos para a nossa instituição.


Nunca fiz questão de esconder onde bate com mais força o meu coração. Para mim, o Xico Andebol nunca foi um amor secundário nem uma paixão menor, mas sim a primeira em relação a qualquer outro clube da cidade de Guimarães. É um sentimento antigo, estruturante e grato.


Por isso, o compromisso e a premissa mantêm-se intactos:

Pelo Xico, tudo.

Unidos, venceremos!


CIPA: 86318


Confer:






Fotografia de Draccar Carvalho na Fase Final de Veteranos 2016/2017, em Oeiras.




Fotografia de Draccar Carvalho na Fase Final de Veteranos 2016/2017, em Oeiras.



Medalha de 5.º lugar na Fase Final nacional de Veteranos 2016/2017, em Oeiras.









 
 

Planto mudança, colho evolução.

bottom of page