Liberdade e Resistência
As Raízes e as Humanidades
Nasci no antigo hospital de Guimarães, à sombra do castelo. Passei os primeiros dias em S. Martinho de Candoso e vivi em Pevidém até aos 14 anos, onde a minha primeira etapa escolar foi reconhecida com o prémio de mérito da Sociedade Martins Sarmento. O caminho nas Humanidades começou na Escola Francisco de Holanda e consolidou-se na Universidade Católica Portuguesa, na licenciatura pré-Bolonha. A vontade de compreender e transformar a sociedade levou-me depois à especialização em Política de Género: Igualdade e Não Discriminação, pela Academia de Ciências de Lisboa. Hoje, dou continuidade a este percurso como mestrando em Educação na Universidade do Minho.
Gestão, Mediação Cultural e Educação
A minha ligação à Cultura e à Educação faz-se no terreno, no contacto direto com as pessoas, com a juventude e com os públicos. Iniciei o percurso profissional muito jovem na histórica Valentim de Carvalho, uma experiência que marcou o início de uma ligação de 25 anos ao ecossistema do GuimarãesShopping, desempenhando sobretudo funções de auditoria.
Paralelamente, o meu trabalho pedagógico e de mediação estende-se há mais de duas décadas: leciono aulas de música, instrumento (guitarra e baixo) e voz desde 2002. A esta prática junta-se a lecionação de Artes Performativas nas escolas de Guimarães durante sete anos letivos consecutivos, bem como a dinamização de workshops sobre sexualidade em 74 turmas do ensino secundário no concelho, uma intervenção focada na prevenção do bullying e cyberbullying, assim como na capacitação dos jovens para a igualdade, a tolerância e a celebração da diferença.
Enquanto Gestor e Mediador Cultural, assumo a escrita de opinião e a palavra como ferramentas centrais de reflexão e intervenção pública, colaborando regularmente como cronista em órgãos como o Jornal de Guimarães e a plataforma Dezanove. Na programação e criação de projetos, idealizei e coordenei os Diálogos de Guimarães (criados em 2023), desenhados para dar palco e valorizar os artistas locais através de conversas gravadas no auditório da Fnac e partilhadas no YouTube. Esta dinâmica estendeu-se aos Diálogos da Igualdade e Diálogos da Identidade, a par da organização e moderação de diversos fóruns e debates públicos dedicados aos Direitos Humanos em espaços como a Fnac, o Círculo de Arte e Recreio (CAR) e o Convívio. Destaca-se ainda a conceção e produção do Guimarães Drag Fest, evento pioneiro na celebração da diversidade na cidade, e a criação do Círculo de Poesia no C.A.R., um projeto mensal de valorização e incentivo à criação literária local e regional que tem ganho dimensão comunitária e itinerante em diversos espaços culturais e festivais.
Percurso Artístico, Empreendedorismo e Música
A minha identidade constrói-se na pluralidade. Melómano e multi-instrumentista, integrei mais de uma dezena de bandas, entre as quais Winter Cry, Hacksaw, Vrna, Bloody Tears, etc., somando mais de uma centena de atuações em palcos por toda a Península Ibérica.
O compromisso com a criação levou-me ao empreendedorismo cultural através da editora Victorius Music Records, da loja Vimaranes Music Shop e da Vimaranes Agency. Este percurso assumiu especial dimensão na produção e promoção de mais de setenta concertos e festivais no Norte do país, de que são exemplo o Vimaranes Metal Fest, o Berço Fest e o Violent Mardi Gras.
Esta visão sonora mantém-se viva através da minha faceta como DJ de música alternativa: há vários anos que partilho curadorias em cabines pelo país, mantendo residências e presenças habituais em espaços de referência como o Lustre, em Braga, e o Rendez Vous, no Porto.
Associativismo e Cidadania
No desporto, vesti a camisola do Desportivo Francisco de Holanda/Xico Andebol durante nove temporadas — cinco nas camadas jovens e quatro nos veteranos, integrando a estrutura do clube enquanto diretor e, depois, como membro do Conselho Consultivo.
É esse mesmo espírito de pertença e compromisso que me guia no associativismo e na intervenção social: do Círculo de Arte e Recreio aos Bombeiros Voluntários de Guimarães e ao Internato S. João, passando pela defesa ativa dos Direitos Humanos na SOS Racismo e na Opus Diversidades. Acredito profundamente que o nosso impacto reside nas pontes que decidimos construir.
Consciência Política e Resistência
A minha participação pública começou cedo, na Associação de Estudantes da Escola Secundária Francisco de Holanda. Desde aí, a defesa dos Direitos Humanos e da liberdade tornou-se a minha bússola. Das lutas pelo direito ao aborto e ao casamento igualitário até às manifestações sociais, climáticas e LGBTQIA+, entendi que a rua e o debate público são o coração da democracia.
Este compromisso teve um custo elevado. Em 2020, fui alvo de ameaças por grupos de extrema-direita, o que me obrigou a viver sob proteção policial. Em 2021, enfrentei campanhas de desumanização e humilhação LGBTQIA+fóbica. Mais tarde, em 2024, o ódio digital transbordou para a minha vida privada através de perseguição organizada em redes sociais, violando a paz da minha família.
Transformar a Intimidação em Mudança
Estas tentativas de silenciamento apenas fortaleceram a minha convicção na dignidade humana. Entendi que, para combater a normalização do ódio, era preciso agir com responsabilidade dentro do sistema político.
Assim, com o objetivo de participar nas eleições autárquicas, aderi ao Bloco de Esquerda em 2021, acabando por ser o cabeça de lista do partido à Câmara Municipal de Guimarães. Contudo, divergências de visão levaram-me a afastar pouco tempo depois. Mantendo a convicção de que a intervenção partidária é um espaço necessário de transformação, encontrei no LIVRE um projeto alinhado com os meus valores. Nas Eleições Legislativas de 2024, enquanto segundo candidato pelo círculo eleitoral de Braga, assisti a um crescimento expressivo do partido: Guimarães foi o segundo concelho com maior expansão e, na minha própria freguesia, a Costa, alcançámos o melhor resultado de todo o distrito. Fui também membro da Assembleia Nacional do LIVRE.
A vivência partidária, contudo, deixou-me a certeza de que as estruturas partidárias carregam vicissitudes complexas, gerando um desgaste profundo e revelando-se, por si sós, um verdadeiro objeto de estudo sobre a partidocracia contemporânea. Compreendi, por isso, que a verdadeira transformação não se esgota nas siglas. A intervenção cívica, associativa, cultural e pedagógica, o terreno direto da vida real, é o meu verdadeiro lugar de eleição para construir um mundo mais justo para todas as pessoas.
Movo-me pela certeza de que a justiça social não é uma utopia: é um direito de todos nós.