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O Solstício Interior

  • luispintolisboa
  • 8 de ago.
  • 1 min de leitura

No papel pautado, a caneta azul

Tece a trama de um rosto que irrompe,

Traço a traço, na luz do seu paul,

Onde a tinta da alma o mundo rompe.


​É autorretrato, espelho e mapa,

Não do reflexo fiel, mas da jornada.

A construção interior que se destapa,

Em linhas cruzadas, sombra desenhada.


​O desenho, este Sketch em fúria mansa,

É o caminho, o labor, a preparação,

Para o vasto palco onde a vida avança,

A voz silenciosa da individualização.


​Olhar altivo, a testa em luz banhada,

Busca não o verão, mas outro Norte,

O instante exato da alma desvendada,

Que antecede o solstício de Inverno e o porte.


​O Solstício, não de frio, mas de pausa,

Onde a luz interior se faz mais forte.

A borracha ali jaz, sem ter mais causa,

Pois a imperfeição é o nosso suporte.


​Mão que segura a tinta, em gestos lentos,

Une o eu íntimo ao vasto coletivo.

O rosto em traço firme, sem lamentos,

É a ponte para ser no mundo, vivo.


16 de dezembro de 2025



 
 

Planto mudança, colho evolução.

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