Manifesto Republicano: Pela Liberdade, pela Igualdade e pelo Futuro
- luispintolisboa
- 2 de fev.
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Vivemos tempos que não nos permitem o luxo da indiferença. A democracia, por mais sólida que pareça, nunca é um dado adquirido, é uma construção diária que exige vigilância, coragem e responsabilidade. Cinquenta e um anos depois do 25 de Abril, o nosso dever não é apenas recordar o passado, mas enfrentar com determinação os novos vírus que procuram corroer as instituições e os valores arduamente conquistados.
Não começamos do zero. Em Guimarães, a resistência tem nome, rosto e memória. Por isso, recordamos com orgulho o grupo de revolucionários que, nas décadas de 40, 50 e 60, ousou desafiar o silêncio imposto pelo Estado Novo para celebrar o 31 de Janeiro. Sob a liderança e o exemplo de figuras como Mariano Felgueiras, Eduardo Almeida, Santos Simões, os irmãos Ribeiro ou os irmãos Correia, entre tantos outros, aqueles jantares eram muito mais do que encontros discretos. Eram gestos de insubmissão, afirmações de dignidade e atos de fé na República. Eram o espírito do "reviralho" a pulsar no coração da cidade.
A própria toponímia de Guimarães testemunha esta história de luta. A Rua 31 de Janeiro, batizada em 1910 para honrar a primeira semente republicana de 1891, foi apagada pelo regime de Salazar, após o 28 de maio de 1926, voltando a chamar-se Rua de Santo António. Mas o espírito republicano não se apaga por decreto. Tal como no Porto, também aqui a chama permaneceu acesa, guardada por quem nunca aceitou que a liberdade fosse um privilégio de poucos e não um direito de todos.
Desta forma, este manifesto é um compromisso com o presente e o futuro, ancorado na Constituição e na defesa intransigente de três pilares fundamentais. Primeiro, a Liberdade, como direito inalienável de pensamento, expressão e associação; ela é o ar que a democracia respira e sem a qual nenhuma sociedade é verdadeiramente humana. Segundo, a Igualdade, que não pode ser uma palavra vã, mas sim a garantia de que a dignidade de cada pessoa não depende do seu berço, da sua riqueza ou da sua crença. E, finalmente, o Laicismo, através da separação clara entre o Estado e as igrejas, garantindo que o espaço público pertence a todos e protegendo a liberdade religiosa de cada pessoa através da neutralidade absoluta das instituições.
Mas a República não se proclama apenas, pratica-se na dignidade da vida. Por isso, reivindicamos um país que responda às necessidades reais das pessoas. Exigimos o direito efetivo à habitação e uma mobilidade que funcione e ligue as pessoas de forma eficaz. Reivindicamos saúde a tempo e horas, com médicos de família e o fim das listas de espera que asfixiam quem mais precisa. Queremos mais e melhor educação, defendendo a instituição da literacia política como disciplina escolar, para que a nossa juventude cresça com as ferramentas necessárias para participar e decidir o seu próprio futuro.
Uma República justa é também uma República sem muros de exclusão. Assim, lutamos contra a discriminação, a xenofobia e qualquer forma de exploração, exigindo direitos plenos para todas as pessoas que constroem o nosso país. Não toleramos quem procura descredibilizar as instituições políticas e a comunicação social livre, pilares que nos protegem do autoritarismo. Mais ainda, exigimos creches acessíveis para as crianças e dignidade para os idosos, com estruturas que honrem uma vida de trabalho, e salários que permitam viver com decência.
Portanto, como Emídio Guerreiro, queremos erguer um brinde à liberdade vivida e transformadora, recuperando hoje esta tradição vimaranense para celebrar o legado de ontem e inspirar a democracia de amanhã.
Para terminar, perguntamos, cinquenta e um anos depois do 25 de Abril, o que falta fazer para que a República chegue à casa de todos? Como podemos garantir que a liberdade não seja capturada pelo medo? Como fortalecer as nossas instituições contra aqueles que as querem destruir por dentro? E, acima de tudo, como manter viva a chama da participação cívica numa era de ruído e desinformação?
A liberdade, a igualdade e a justiça defendem-se à mesa, na rua e no pensamento.
Saudações laicas e republicanas.
(Manifesto lido no jantar Republicano de 31.01.2026)




