Passo Firme
- luispintolisboa
- 28 de jan.
- 1 min de leitura
Não é no gesto alto que a honra nasce,
nem no aplauso fácil ou na pose ensaiada.
Os princípios provam-se no passo que se faz quando ninguém olha,
quando o silêncio pesa mais do que o discurso.
O caminho não se anuncia: percorre-se.
Desenha-se no desgaste das solas,
na escolha diária entre o cómodo e o justo,
entre o atalho que brilha
e a vereda que exige coluna direita.
Valores não se exibem como troféus,
carregam-se.
Pesam.
Pedem coerência quando custa,
pedem humanidade quando seria mais simples virar o rosto.
A honra não é bandeira, é chão comum.
É saber onde se pisa e com quem se pisa,
e não trair esse lugar,
mesmo quando a sombra convida
a fingir que não se viu.
Porque ética não se representa, vive-se.
E é nesse andar discreto, mas inteiro,
que o humano se reconhece no humano
e o caminho, ainda que áspero,
ganha sentido real, fora da encenação.










