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100 anos do nascimento de Luís Sttau Monteiro

  • luispintolisboa
  • 3 de abr.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de abr.

Hoje, 3 de abril de 2026, assinalamos o centenário de Luís Sttau Monteiro. Se estivesse connosco, num qualquer café de Lisboa, de certeza que olharia para este dia com o mesmo sarcasmo elegante com que dissecava a burguesia lisboeta nos anos 60. Sttau Monteiro não foi apenas um escritor, foi um "provocador de consciências" que faz falta em qualquer época.


Sendo filho de embaixador, esse privilégio nunca o impediu de ter a empatia necessária para com a outra pessoa. Pelo contrário, permitiu-lhe crescer com o mundo nos olhos em Londres e usar essa bagagem cosmopolita como a sua maior arma quando regressou ao Portugal cinzento da ditadura, após o seu pai ter sido demitido por Salazar.


Enquanto muitos se resignavam, ele trazia na mala as vanguardas anglo-saxónicas e uma ideia revolucionária, o teatro não servia apenas para emocionar, mas para despertar o pensamento crítico.


​Na verdade, foi ele quem abriu as portas ao teatro épico de Bertolt Brecht entre nós. Com "Felizmente Há Luar!" (1961), Sttau Monteiro fez um truque de mestre, usou a execução do General Gomes Freire de Andrade, em 1817, para falar do presente sufocante. A censura, que de tola nada tinha, percebeu o recado e proibiu a peça de imediato. O público só a veria em palco após o 25 de Abril, primeiro no Barreiro, em 1975, e depois no palco maior do Teatro Nacional D. Maria II, em 1978.


​Mas, Luís era um homem de mil frentes. Se no teatro era denso e épico, no jornalismo e na sátira era mordaz, colaborando em publicações como a revista "Almanaque" ou o suplemento "A Mosca". E, nas "Redacções da Guidinha", através da voz de uma criança, ele dizia as verdades que os adultos temiam sussurrar.


​No entanto, a sua coragem teve custos. Foi preso pela PIDE em 1967, perseguido pelas críticas à ditadura e à guerra colonial presentes em peças como "A Guerra Santa" e "A Estátua". Mas Luís de Sttau Monteiro sabia que a resistência era um dever.


​Hoje, ao celebrarmos o seu centenário, a sua importância vai muito além das notas biográficas ou da condecoração póstuma como Grande-Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada. Luís Sttau Monteiro importa porque nos ensinou que a arte deve ser um tribunal moral e que o riso, quando inteligente, é uma das formas mais poderosas de liberdade. Recordar o seu percurso é lembrar que, felizmente, houve, e haverá sempre, luar, desde que existam vozes dispostas a iluminar a escuridão com a escrita. 





 
 

"Mudar o mundo, não é loucura, não é utopia, é justiça". 🩵

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